terça-feira, 26 de junho de 2012

GM diz que corridas são 'escola' para aprimorar injeção direta e motores.

cadillac cts-v (Foto: Divulgação)
 Vice-presidente de motorsports conta o que sai das pistas para as ruas. Nos EUA, montadora envolve cerca de 200 pessoas em competições. Cadillac CTS-V é um dos modelos usados em corridas pela GM (Foto: Divulgação)
É sabido que as tecnologias dos carros de corrida muitas vezes têm vez nos modelos que circulam pelas ruas. Esse fui um dos benefícios que pesaram para a General Motors voltar às competições há pouco mais de 1 ano, após a reestruturação da montadora.
Segundo o vice-presidente para motorsports, Jim Campbell, as principais "lições" que a GM tira das pistas atualmente estão ligadas, além da aerodinâmica, ao sistema de injeção direta de combustível e ao uso de motores menores e mais potentes -duas áreas que vão ao encontro das atuais necessidades de carros menos poluentes e de consumo menor.
"Já trouxemos nosso conhecimento prévio de injeção direta mas, quando você disputa uma corrida, aprende mais", diz Campbell. "Essa área é a mais beneficiada, estamos aprendendo o quanto o sistema funciona bem nos carros da [Fórmula] Indy. Nossos engenheiros estão sentados ao lado dos engenheiros de corrida para determinar o que podemos levar para a linha de produção."
A Indy é o "carro-chefe" do programa de esportes a motor da GM. Os propulsores da marca rodam em cerca de 15 carros do campeonato, entre eles os usados pelos brasileiros Helio Castro Neves, Tony Canaan e Rubens Barrichello. Outra grande parte utiliza motores Honda, montadora que também tem muita tradição nas pistas (conheça o Honda Civic que foi safety car da Indy no Brasil). Carros com o motor Chevrolet somavam 5 vitórias na temporada até este sábado (23) contra 3 dos equipados com motor da marca japonesa -que levou as 500 Milhas de Indianápolis, em maio, com Dario Franchitti. "Não vencer a Indy 500 foi desapontador, mas não perdemos o rumo", comenta Campbell.
Além do sistema da injeção, a GM diz que a categoria tem ensinado muito sobre sobrealimentação de motores, que viabiliza a tendência de "encolhimento" dos blocos sem perder o desempenho. "Temos visto esse grande movimento na indústria, de fazer motores menores, mas os consumidores querem potência, então se recorre ao turbocharger, por exemplo. E temos aprendido muito nesse aspecto com os motores V6."
Para Campbell, provas são também treinamento para jovens engeheiros (Foto: Divulgação)
cadillac cts-v (Foto: Divulgação) As provas têm servido também para a equipe analisar como manter o motor numa temperatura ideal. "E estamos avaliando o quão quente o óleo pode ficar. Será que podemos deixá-lo um pouco mais quente que o de costume e conseguir bons resultados?", exemplifica. "Há sempre uma linha tênue porque, se passarmos de um certo ponto, é preciso avaliar se não haverá problemas com a durabilidade."
Camaro & ciaAlém dos monopostos, a montadora americana utiliza seus modelos de alta performance como carros-madrinha e safety cars da Indy. Em Indianápolis, neste ano, esse papel coube ao Corvette ZR1, o mais rápido já produzido. "Ele e o Z06 [outro modelo de produção do Corvette] ficaram melhores por causa das corridas", diz Campbell.
A aerodinâmica aplicada nas pistas, afirma ele, é o conhecimento mais rapidamente aplicado na produção. "O Camaro ZL1 foi usado como pace car da Grand-Am Series [em junho, em Detroit] e, quando você olha para ele, vê o spoiler dianteiro, os difusores traseiros... aquilo é o que aprendemos com as corridas."
A GM participa de 7 competições, ao todo, incluindo Nascar, NHRA (drag racing, com o Camaro), Grand-Am Series -da qual fazem parte as 24 Horas de Daytona (com o Corvette Daytona Prototype), Le Mans (Corvette C6R), World Touring Car Championship (WTCC, com o Chevrolet Cruze) e World Challenge, (com o Cadillac CTS-V).
camaro drag racing (Foto: Divulgação)Camaro drag-racer (Foto: Divulgação)
corvette daytona prototype (Foto: Divulgação)Da linha para as pistasSegundo o executivo, cerca de 200 pessoas estão envolvidas no programa de motorsports da GM, entre engenheiros e parceiros. As corridas, diz Campbell, também servem de treino para quem trabalha nas fábricas. "Levamos os engenheiros novos que estão na linha de carros como o Corvette e o Cadillac CTS-V, ou na fabricação de motores, e os colocamos no programa de corridas. Eles aprendem que, quando se está num campeonato, você tem 7 dias entre uma prova e outra. No domingo à noite, na segunda-feira, você descobre o que tem que ser feito para a próxima e tem que colocar em ação na terça, porque na quarta já é dia de partir para outro circuito", explica. "Eles são treinados para se tornarem mais rápidos e melhores ao tomar uma decisão. E então voltam para a produção."
Campbell coloca esta entre quatro principais razões pelas quais a montadora voltou às corridas. Outra é a possibilidade de promover uma marca ou um carro em particular. E ainda iniciar no ambiente das provas um relacionamento com o público que pode resultar na venda de um veículo -os modelos "comuns" são expostos nas etapas.
Mas o maior motivo, reforça o executivo, continua sendo levar as lições da pista aos carros de rua. "O mais importante é a transferência de tecnologia. Aprendemos nos circuitos como melhorar os carros de produção e os motores", resume.
Corvette Daytona Prototype, usado na Grand-Am Series (Foto: Divulgação)
Fonte: Luciana de Oliveira/G1, em Detroit (EUA)

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