terça-feira, 5 de junho de 2012

Teste: Chevrolet Sonic é a nova fonte da juventude.


Chevrolet explora a imagem agressiva e moderna do Sonic para renovar os consumidores da marca. Na organização de produtos da Chevrolet, a linha Sonic entra acima de Cobalt e Agile e logo abaixo do Cruze. Os preços entre R$ 46,2 mil e R$ 56,1 mil – do hatch mais barato ao sedã mais caro – colocam os novos compactos ali. Só que o novo modelo trazido da Coreia do Sul chega com uma função mais estratégica do que pragmática.
A missão do Sonic não é vender muito, mas vender para quem normalmente não compra modelos da Chevrolet. A ideia é seduzir um público mais jovem e renovar a imagem da marca. Tanto que a projeção oficial é emplacar 1.200 unidades por mês – 700 do sedã, 500 do hatch. Isso representa apenas 8% do universo de 15 mil vendas mensais entre compactos mais completos e tecnológicos – casos de Fiat Punto e Linea, Honda Fit e City e Ford New Fiesta hatch e sedã.

Esse plano de ação, obviamente, não foi desenhado no Brasil. É um esforço da controladora da marca, a norte-americana General Motors, para modernizar a imagem no mundo inteiro. E o desenho do Sonic responde bem a essa pretensão. Para este ano, a expectativa é bater as 500 mil unidades na soma das dezenas de países onde o modelo é vendido, na maior parte com o nome Aveo, como na Europa e no extremo Oriente. No Brasil, a tática foi revista. Manteve-se o conceito de modelo de renovação e abriu-se mão de venda maiores. Por aqui, ser moderno, equipado e arrojado custa caro, o que espanta substancial parte da freguesia.

Essa jovialidade do Sonic está bem impressa nas linhas do modelo. O conjunto ótico afilado traz dois canhões de cada lado e não tem pálpebra. Segundo a GM, isso dá ao carro um olhar “naked”, típico de motocicleta de alto desempenho. Essa mesma referência, e aí bem mais explícita, é feita no quadro de instrumentos, que imita o desenho e até a combinação de conta-giros analógico com um visor de LCD com velocímetro, odômetro, relógio, dados do computador de bordo e marcador de combustível.

De volta às linhas externas, os modelos hatch e sedã diferem bastante entre si. Embora mantenham o mesmo entre-eixos de 2,53 metros, a última coluna é trabalhada de forma bem individual. Enquanto no três-volumes esta ganha um caimento suave e harmônico, no hatch ela é cortada de forma abrupta, com um ângulo negativo, que gera sensação de velocidade. Os vincos na linha de cintura e na base das portas buscam reforçar essa impressão. E, de quebra, reduzir um pouco a sensação de altura do compacto, que tem bons 1,52 m de altura.

Boa parte da tecnologia do Sonic, porém, está fora das vistas: o propulsor 1.6 16V, da mesma linhagem do Ecotec 1.8 16V que vem sob o capô do médio Cruze. Neste caso, ele rende 116 cv com gasolina e 120 cv com etanol de potência, sempre a 6 mil giros, enquanto o torque de 15,8/16,3 kgfm aparece apenas aos 4 mil rpm. O motor tem comando continuamente variável na admissão e no escape e ainda conta com dutos com duas geometrias, uma para baixas e outra para altas rotações. O câmbio mecânico tem cinco marchas, enquanto o automático tem seis velocidades, com modo sequencial manual
O conteúdo do Sonic também tenta responder à exigência de tecnologia e sofisticação desse novo público – definido pela GM como jovens solteiros, no caso hatch, e jovens casais no sedã. Só que a maior parte desses itens aparecem apenas na versão mais cara, LTZ. Caso das rodas de liga leve aro 16, do CD com bluetooth e entradas P2 e USB, acabamento em couro, volante multifuncional, sensor de estacionamento e controle de cruzeiro. Na versão hatch sai a R$ 48.700 com câmbio mecânico e R$ 53.600 com automático. O sedã sai, na mesma ordem, a R$ 51.500 e R$ 56.100. Já na versão inicial LT, o modelo é sempre com câmbio manual e custa R$ 46.200 na configuração hatch e R$ 49.100 na sedã. E traz apenas itens triviais no segmento de compactos superiores, como airbags, ABS, ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica e rodas de liga leve aro 15. São recursos quase obrigatórios e incapazes de emprestar a imagem sofisticada que a Chevrolet busca. Talvez por isso mesmo, a aposta da marca seja que a LTZ vá responder por nada menos que 70% das vendas.

Primeiras impressões

Nova dimensão

Armação de Búzios/RJ –
Geralmente, o design dos modelos compactos buscam criar a sensação de que seus carros são maiores do que são. No Chevrolet Sonic, a ideia foi outra. A intenção foi valorizar a agilidade e a esportividade, com detalhes que remetem até a motos de alta performance. Neste caso, menor é melhor. Os mais de 4 metros do Sonic hatch e os quase 4,40 m do sedã são camuflados pelos vincos acentuados na lateral e pelas soluções para a última coluna. A plataforma é exatamente a mesma utilizada pelo sedã Cobalt, mas impressão é que o do modelo coreano é bem menor.
A dimensão real do Sonic fica evidente do lado de dentro. Na frente, o duplo cockpit envolve bem os ocupantes dos bancos da frente, o que facilita o acesso a comandos e porta-objetos, mas oferece um bom espaço para esticar as pernas. Atrás, além de uma área generosa para cabeça e pernas, há um bom espaço lateral. O terceiro passageiro no banco traseiro fica incomodado mais pela modelagem do assento, que não prevê alguém ali, do que pelo aperto – a largura do modelo é de 1,73 metro. No interior, porém, falta cuidado nos detalhes. A luz do salão se resume à que fica sobre o retrovisor interno, os espelhos de cortesia não têm iluminação individual e há um excesso de plásticos rígidos nos revestimentos.
No comando, tem-se à disposição regulagem de altura do banco e o volante tem ainda ajuste de profundidade. Na versão LTZ, o Sonic é razoavelmente completo. Além dos comandos no próprio volante, vários comandos nas hastes que se projetam da coluna de direção. Ali, como no Cruze, a navegação pelos dados computador de bordo requer um movimento incômodo, de torcer um anel na ponta da haste. Além disso, não dispõe de consumo instantâneo, informação interessante para que o motorista possa interagir melhor com o carro atrás de um pouco mais de economia.

Já o painel em si é um cluster que traz conta-giros analógico e velocímetro digital. Parece um tanto acanhado e pequeno, mas as informações estão todas lá. Ou quase. Falta o termômetro do líquido do radiador. No mais, o banco tem boa ergonomia, sustenta bem o corpo nas curvas e o motorista dispõe de um apoio de braço bastante simpático. Há ainda vários porta-objetos espalhados no interior, como porta-copos no console central, porta-trecos no console frontal, porta-garrafas nas portas e bolsa nas costas do encosto do passageiro. O volante de três raios tem bom calibre e um tamanho agradável, o que facilita as manobras.

A boa habitabilidade gerada pelo real tamanho do Sonic exige o preço na hora de acelerar. Os 1.170 kg do carro pesem sobre o propulsor 1.6 16V, que dispõe da totalidade dos 116/120 cv e dos 15,8/16,3 kgfm com gasolina/etanol somente em giros muito altos. Abaixo de 2 mil rpm, há escassos sinais de vigor. E mesmo com todas os recursos para melhorar a distribuição do torque em baixa, como coletor e comando variáveis, ainda falta um pouco de força em situações críticas, como em rampas íngrimes e nas arrancadas mais firmes.
Como tem seis velocidades, o câmbio automático consegue gerenciar os recursos do motor um pouco melhor. Já o mecânico, que tem somente cinco, exige mesmo mãos à obra. Na estrada, porém, os dois se equivalem. O Sonic, mesmo com plena carga, transita com facilidade em velocidades de cruzeiro bem aceitáveis, em torno de 120 km/h. As retomadas também são boas e ele ainda mostra bastante agilidade, desde que não se tenha preguiça de recorrer ao câmbio. No caso da transmissão automática, o melhor é deixar que ela se vire sozinha, já que o modo manual é pouco amigável. A troca é feita através de um botão que exige uma pequena contorção da mão – pois fica na lateral interna da alavanca, exatamente como na Captiva. Na verdade, o recurso de mudanças sequenciais não tem muito crédito com a GM. A própria marca diz que é um fator importante para reduzir a rejeição ao câmbio automático, mas depois que o carro sai da concessionária, dificilmente é será utilizado pelo consumidor.
Teste: Chevrolet Sonic é a nova fonte da juventude

Ficha Técnica

Chevrolet Sonic hatch (sedã)

Motor:
A gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, quatro cilindros em linha, com quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e duplo comando variável de válvulas. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.
Transmissão:
Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima:
120 cv e 116 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo:
16,3 kgfm e 15,8 kgfm a 4 mil rpm com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso:
79,0 mm x 81,5 mm. Taxa de compressão: 10,8:1.
Suspensão:
Dianteira independente do tipo McPherson com barra de torção e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás. Traseira semi-independente com eixo de torção e amortecedores telescópicos hidráulicos pressurizados a gás.
Pneus:
195/65 R15.
Freios:
Discos na frente e a tambor atrás. Oferece freios ABS com EBD de série.
Carroceria:
Hatch (sedã) em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,03 (4,39) metros de comprimento, 1,73  m de largura, 1,51 m de altura e 2,52 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais de série.
Peso:
1.163 (1.178) kg.
Capacidade do porta-malas:
265 (477) litros.
Tanque de combustível:
46 litros.
Produção:
Bupyong-Gu, Coréia do Sul.
Lançamento mundial:
2011.
Lançamento no Brasil:
2012.
Itens de série:

Versão LT:
ar-condicionado, airbag duplo, ABS com EBD, direção hidráulica, computador de bordo, trio elétrico e desembaçador do vidro traseiro.
Preço:
R$ 46.200 (R$ 49.100).
Versão LTZ:
Adiciona sensor de estacionamento traseiro, rádio com entradas auxiliares, acabamento em couro, cruise control, faróis de neblina, apliques cromados, rodas de 16 polegadas, descansa-braço central e volante multifuncional.
Preço:
R$ 48.700 (R$ 51.500).
Versão LTZ automática:
Adiciona câmbio automático de seis velocidades.
Preço:
R$ 53.600 (R$ 56.100).
 Fonte: Eduardo Rocha/Auto Press

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