quinta-feira, 7 de junho de 2012

Teste: Peugeot 508 1.6 16V THP faz ataque ao topo.

Teste: Peugeot 508 1.6 16V THP faz ataque ao topoPeugeot tenta com o 508 resgatar sua imagem de marca sofisticada no Brasil. A Peugeot precisa correr atrás. Depois de fazer uma "gambiarra" com o 206 para criar o 207 nacional e atrasar a estreia do 308 no Mercosul por cinco anos, a marca francesa procura recriar a sua imagem de modernidade e sofisticação no Brasil, um tanto esmaecida pela falta de reais novidades. Por isso, é hora de exibir requinte e atualização com o mercado europeu.
É com essa missão que chega o sedã médio-grande 508. Com uma bela lista de opcionais, desenho inspirado e um conjunto mecânico moderno, ele não tem necessariamente a tarefa de vender. Tanto é que a própria Peugeot estima que apenas 40 sejam comercializados por mês no mercado nacional. Mas, apesar da tímida projeção de vendas, o 508 tem um papel fundamental: fazer a marca do leão voltar a ser admirada pelos consumidores brasileiros. 
Por aqui, os alvos do 508 são os compradores de Volkswagen Passat, Hyundai Sonata, Kia Optima e Honda Accord 2.0 – todos na faixa dos R$ 115 mil. A Peugeot mira alto. E, para isso, o modelo pelo menos tem predicados para tentar abocanhar uma fatia desse mercado de consumidores exigentes. Ele vem com o já conhecido 1.6 turbo de 165 cv e 24,5 kgfm disponíveis a apenas 1.400 rpm, o mesmo motor produzido em parceria com a BMW que equipa o crossover 3008, o esportivo RCZ e a versão topo do 408 – e um 308 mais esportivo com esse motor também está a caminho.


Segundo a marca, o conjunto é capaz de levar o carro de zero a 100 km/h em 9,2 segundos e à máxima de 220 km/h – por aqui, o câmbio é sempre um automático de seis marchas. É certo que todos os concorrentes são mais fortes. Destaque para o Passat, com seu 2.0 turbinado de 211 cv. Já os rivais coreanos, de preço semelhante aos R$ 119.900 cobrados pelo 508, também vêm com motores de quatro cilindros, mas aspirados e menos modernos.
O visual é um dos pontos fortes do 508. As formas imponentes tiveram vincos suavizados e finalmente parecem mostrar que a Peugeot deixou para trás o inconfundível "bocão", controversa marca registrada de praticamente todos os seus lançamentos durante a década passada. O estilo suave cativa e o porte se assemelha ao de modelos alemães, como o Opel Insignia vendido na Europa. A impressão é a de que a marca economizou nas ousadias para ter um carro elegante e discreto – bem mais que o Citroën C5, com o qual compartilha plataforma. Os 4,79 metros de comprimento o colocam exatamente no meio do caminho de seus antecessores – é 10 cm mais comprido que o 407 e 11 cm menos que o 607. O entre-eixos chega a 2,82 m, expressivos 11 cm a mais que o rival Passat.

Todo esse tamanho abre bastante espaço no interior, onde motorista passageiros desfrutam do máximo que a Peugeot pode oferecer. O acabamento é de ótima qualidade e há fartura de equipamentos. As unidades importadas para o Brasil são somente da configuração topo de linha, que traz itens importantes como head-up-display, bancos dianteiros com ajustes elétricos, teto solar e até sensor que ajusta o farol alto para não cegar o motorista de carros em sentido oposto. Logicamente, o arsenal de sistemas de segurança é completo, com airbags frontais, laterais e de cortina, além de freios ABS e controle de estabilidade ESP.
O maior – e talvez único – problema do 508, no entanto, é o preço, que parece não refletir mais a imagem que a Peugeot tem no Brasil. Enquanto a empresa-irmã Citroën ainda goza de prestígio por aqui, a marca do leão acabou perdendo um pouco de "status" após anos focando nos segmentos de entrada com o 206 e posteriormente o 207. A diferença entre as marcas francesas se mostra ainda mais acentuada com as modestas ambições da Peugeot de vender apenas 40 unidades mensais. Por mais que o 508 seja até maior e melhor equipado que muitos concorrentes, a marca precisará de muito esforço de marketing para resgatar a imagem de requinte que já teve por aqui. E convencer os exigentes consumidores de um dos segmentos mais disputados do mercado.
Ponto a ponto
Desempenho –
O moderno 1.6 THP  mostra valentia ao empurrar um carro do tamanho do 508. O trem de força não hesita ao mover o sedã de 4,79 m com rapidez digna de motores de maior capacidade cúbica. Os 24,5 kgfm de torque aparecem logo a 1.400 rpm e seguem até as 4.500 rotações e dão ao propulsor uma elasticidade apreciável. Ultrapassagens e acelerações não são das mais emocionantes, mas o conjunto surpreende pela eficiência. O casamento com a transmissão automática de seis marchas é dos melhores. A Peugeot fala em 9,2 segundos para a aceleração de zero a 100 km/h e 220 km/h de velocidade máxima, números bem compatíveis com o segmento. Nota 8
Estabilidade –
A suspensão tem configuração mais firme, mas ainda assim não maltrata os passageiros. Apenas quebra-molas e buracos mais pronunciados se refletem no volante e nos ocupantes mais diretamente. O comportamento é neutro na maior parte das situações e a carroceria rola pouco nas curvas. O carro se mantém "na mão" do motorista o tempo todo, sem pregar sustos mesmo próximo do limite. Nota 8.
Interatividade –
O topo de linha da Peugeot no Brasil não poderia ser mal equipado. O 508 traz uma extensa lista de itens de série, que contempla até mesmo um pequeno "head-up-display", que mostra a velocidade e a marcha usada, bastante útil no dia a dia do carro. O interior é facilmente reconhecível, com comandos já vistos em outros Peugeot e Citroën. Tudo está bem localizado e há uma enorme quantidade de porta-objetos no interior. O volante traz comandos para o controlador de velocidade de cruzeiro e para o som, mas o excesso de botões polui um pouco o conjunto. Nota 9.
Consumo –
  O 1.6 THP consegue ser bastante econômico quando conduzido com parcimônia. O InMetro não recebeu nenhuma unidade do carro para testes, tampouco a Peugeot divulga números oficiais para o Brasil. Mas, foi possível ver números na casa dos 13 km/l em velocidade de cruzeiro na estrada. Na cidade, a média ficou em 9 km/l. Nota 7.
Conforto – Mesmo com uma suspensão mais rígida que o esperado para um carro de seu porte, o 508 não deixa de ser confortável. O nível de ruído é baixo mesmo em velocidades de cruzeiro. Bancos têm espuma com densidade correta que não cansam o corpo em viagens mais longas. Há espaço suficiente para quatro adultos – um quinto elemento já envolve contato físico, ainda que a quase ausência do túnel central facilite a acomodação.  Nota 8.

Tecnologia –
O 508 esbanja tecnologia. O interior é recheado de equipamentos eletrônicos, como freio de estacionamento elétrico e até head-up-display. É notável a preocupação da marca em transparecer essa "modernidade" nos mínimos detalhes. O motor é da família Prince, desenvolvido em conjunto com a BMW e equipa vários outros carros, do pequeno Mini à minivan 5008. A plataforma ainda é recente, de 2008, compartilhada com o Citroën C5. Nota 9.
Habitalidade –
O acesso é facilitado pelo bom ângulo de abertura das quatro portas. Há boa profusão de porta-objetos espalhados pela cabine. Os passageiros de trás têm à disposição porta-revistas nos encostos dos bancos da frente. O porta-malas tem bons 472 litros e uma larga abertura, que facilita bastante a colocação de bagagens. Nota 7.
Acabamento –
Como tem se tornado praxe nas marcas do grupo PSA, o acabamento é dos melhores. Materiais de boa qualidade e arremates bem feitos empregam à cabine um ar sofisticado e maduro. O alto do painel tem revestimento espumado, que está presente até mesmo em áreas menos visíveis. Os encaixes são perfeitos e passam a sensação de robustez e durabilidade. Nota 9.
Design –
O 508 se destaca pelo porte e pelo tamanho. As linhas são claramente mais contemporâneas que as de seus antecessores e marcam a nova fase de design da Peugeot. Os traços são suaves e as proporções corretas, sem a sensação de "barca" do 607, nem o enorme balanço dianteiro do 407. Nota 8.
Custo/benefício –
Ao se colocar no disputado nicho dos sedãs médio-grandes, na faixa entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, a Peugeot compra briga com concorrentes de peso, como o Volkswagen Passat. O modelo francês oferece por R$ 119.900 um conjunto refinado e bem acertado, mas deve um desempenho mais esportivo para essa faixa de preço – mesmo que isso não seja demérito algum do conjunto propulsor. A lista de equipamentos é um ponto positivo. Para ficar tão bem recheado assim, o modelo da Volks superaria os R$ 130 mil com facilidade. Nota 8.
Total –
O Peugeot 508 somou 81 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões
Conforto e equilíbrio
Campos do Jordão/SP –
O 508 impressiona pelo porte, com linhas elegantes e muito harmônicas. A sensação se estende ao interior, muito bem acabado, com materiais de ótima qualidade e espaço de sobra. É fácil encontrar uma posição confortável para dirigir graças aos amplos ajustes dos bancos – elétricos para as duas poltronas dianteiras. A espuma densa acomoda bem o corpo e não deixa viagens longas se tornarem cansativas. Além disso, o próprio interior é bonito e forma um ambiente agradável.
No entanto, o motor 1.6 turbo parece se ressentir um pouco do peso do carro. Apesar do bom torque em baixas rotações, falta algum vigor nas acelerações mais fortes – e evidencia a falta que fazem os motores maiores que equipavam seus antecessores. Os razoáceis 9,2 segundos que a Peugeot anuncia para a aceleração de zero a 100 km/h dão o tom do rodar do 508. O desempenho é correto e o casamento entre propulsor e câmbio é bastante feliz – a opção por trocas manuais por borboletas atrás do volante raramente será requisitada. O comportamento do conjunto é irrepreensível e, apesar da performance não ser arrebatadora, o 508 certamente não decepciona.
A suspensão lida surpreendentemente bem com o asfalto ruim das grandes cidades. A configuração tradicional de McPherson na dianteira e Multilink na traseira tem acerto mais voltado para a esportividade, mas mesmo com rodas de 18 polegadas, trata bem os ocupantes e filtra boa parte das imperfeições do solo. Não há batidas secas mesmo ao passar sobre quebra-molas. E em estradas sinuosas, o 508 até anima e parece um carro bem menor, com boas respostas ao volante. O comportamento neutro incentiva o motorista a explorar mais os limites, aos quais o sedã responde muito bem.

Ficha técnica

Peugeot 508 1.6 THP

Motor:
A gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbo e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão:
Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima:
165 cv a 6 mil rpm.
Aceleração 0-100 km/h:
9,2 segundos
Velocidade máxima:
217 km/h
Torque máximo:
24,5 kgfm entre 1.400 e 4.500 rpm.
Diâmetro e curso:
77,0 mm X 85,8 mm. Taxa de compressão: 11,0:1.
Suspensão:
Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores a gás. Traseira do tipo Multilink, com molas helicoidais e amortecedores a gás.
Pneus:
225/45 R18.
Freios:
Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria:
Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,79 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,47 m de altura e 2,81 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.
Peso:
1.410 kg.
Capacidade do porta-malas:
545 litros.
Tanque de combustível:
72 litros.
Produção:
Rennes, França
Lançamento mundial:
2011.
Lançamento no Brasil:
2012.
Equipamentos:
Airbags frontais, laterais e de cortina, freios ABS, ar-condicionado com quatro zonas, rádio CD/MP3/USB/Bluetooth, volante com revestimento em couro e comandos do som, computador de bordo, trio elétrico, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, faróis de neblina.
Preço:
R$ 119.900.

Prós:

# Equipamentos
# Design
# Acabamento

Contras:

# Desempenho
# Alta quantidade de botões no interior

  Fonte: Igor Macário/Auto Press

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