quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Teste: Novas linhas mostram o valor do Kia Optima,

Teste: Novas linhas mostram o valor do Kia Optima
O sedã médio-grande Optima é o melhor exemplo da mudança de status da Kia através do design. A Kia se reinventou de três anos para cá. Até pouco tempo, os carros da fabricante sul-coreana eram incapazes de despertar desejo. Eram apenas automóveis com um bom custo/benefício. Hoje, os modelos da marca já ocupam garagens de maior status Brasil afora, de forma ostensiva.
Esta drástica mudança de status é bem fácil de ver – literalmente. A Kia optou por deixar seus modelos mais vistosos, com desenhos agressivos. Abandonou a política do custo/benefício e adotou a ética do valor atribuído. Um a um, seus modelos foram ganhando novos desenhos e saltando na tabela de preços – antes mesmo do IPI adicional de 30 pontos para importados. O mais recente a enfrentar esta mudança foi o médio-grande Optima – herdeiro do discretíssimo Magentis.

O proposta de design fez bem ao sedã. Nestes cinco meses fechados de vendas, ele marcou média de 116 emplacamentos mensais. Em um segmento onde as vendas são escassas, é um número interessante. O antecessor Magentis, por exemplo, emplacou, em média, 60 unidades por mês entre 2008 e 2010. As vendas do Optima são suficientes até para encostar no consagrado Volkswagen Passat, que marcou algo em torno de 120 unidades e para atropelar Citroen C5 e Peugeot 508, que ficam na faixa de 25 por mês. Na liderança segue o Ford Fusion, que ultrapassa os 500 exemplares mensais. O bom desempenho do Optima, no entanto, ainda fica longe do obtido pelo Hyundai Sonata, modelo com quem compartilha a plataforma e que vende em torno de 410 unidades por mês.



Claro que a mudança de imagem da Kia não foi de graça. A marca aproveitou-se do valor que um design bem urdido transmite para um automóvel. Nesse ínterim, aproveitou para mudar seu patamar de preços. Com os outros modelos da marca que foram renovados, como o Sportage e o Sorento, esse aumento ficou na casa dos 30%. No caso do Optima, a mudança coincidiu com o IPI adicional para importados. Para não ficar fora da curva de preços do mercado, a marca absorveu parte desse aumento. Assim, o médio-grande, que veio substituir um carro que era comercializado na faixa dos R$ 70 mil, começou a ser oferecido por algo próximo dos R$ 100 mil, ou 43% a mais.


Hoje, o Optima é vendido em duas configurações. A mais básica – como a testada – custa R$ 104.900 e traz o esperado na categoria. Seis airbags, ABS com EBD e controles de estabilidade e tração compõe a lista de segurança. Para o conforto, estão o ar-condicionado dual zone, retrovisores eletricamente rebatíveis, banco do motorista com regulagem elétrica e o rádio/CD/MP3/USB – sem conexão Bluetooth. A topo de linha adiciona R$ 10 mil à conta e agrega faróis de xenônio, sistema de partida por botão e teto solar duplo.


Assim como a previsível lista de equipamentos, toda a parte mecânica do modelo da Kia não é novidade. Mas por motivos diferentes. É a mesma que o Hyundai Sonata usa por aqui há mais de um ano. A plataforma é a mesma e traz 2,79 metros de entre-eixos e 4,84 m de comprimento. As suspensões são independentes, do tipo McPherson na frente e Multilink atrás. O motor é um 2.4 16V com duplo comando no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. No total, ele rende 180 cv a 6 mil giros e 23,6 kgfm de torque a 4 mil rpm e é aclopado a uma transmissão automática de seis velocidades.


Em relação a conteúdo, o Optima não se destaca – para o bem ou para o mal. Mas visualmente é extremamente atraente. A frente é imponente, com grade e faróis formando um conjunto linear e afilado. A entrada de ar do para-choque e os faróis de neblina fazem um formato semelhante e parelelo. De perfil, o sedã exibe um desenho agressivo sem apelar para um estilo de cupê. A saída foi criar uma linha de cintura alta, que sobe antes do final da janela traseira. A coluna, portanto, é grossa. As rodas chamam a atenção com a grande área cromada. Atrás, as lanternas continuam o desenho iniciado pela frente, com elementos horizontais, e são delineadas por linhas curvas. Tudo com a assinatura de Peter Schreyer, ex-designer da Audi. Até porque uma ajudinha de um alemão para dar uma imagem de sofisticação pode ser bem-vinda.


Ponto a ponto
Desempenho – A equação não guarda surpresas. Quando se pisa fundo em um carro de 180 cv e 1.551 kg se encontra um desempenho apenas correto. Nada além disso. O torque de 23,6 kgfm aparece totalmente em 4 mil rpm, mas no anda-e-para do trânsito, não há sensação de falta de força. A transmissão automatica de seis velocidades, por outro lado, tem comportamento acima da média. Faz trocas rápidas e nos momentos certos, sem trancos. Nota 7.
Estabilidade
– A suspensão rígida dá ao Optima grande estabilidade. O acerto beneficia claramente a esportividade e dirigibilidade do sedã e o torna extremamente agradável de se dirigir em estradas sinuosas. As extravagantes rodas de 18 polegadas ajudam a deixar o carro ainda mais grudado ao chão. O ponto negativo é a direção hidráulica, muito leve e nada direta. É preciso movimentos amplos demais para fazer as manobras. Mesmo assim, é um comportamento dinâmico elogiável. Nota 8.
Interatividade
– Para um carro que supera os R$ 100 mil, falta conectividade. Não tem navegador e o rádio sequer se emparelha a um celular. A visibilidade traseira é refém do teto muito inclinado e da tampa do porta-malas alta. Mas o interior é bem pensado, com volante multifuncional com borboletas para trocas de marcha, banco do motorista com ajuste elétrico e ar-condicionado dual zone. Nota 6.
Consumo
– O InMetro não recebeu unidades do Kia Optima para testes. O computador de bordo marcou a média de 6,4 km/l de gasolina. Nota 5.
Conforto
– Há até cinto de segurança para um quinto passageiro, mas o Optima foi pensado para levar quatro pessoas. Ao menos, todos vão acomodados em bancos de couro de qualidade com apoios laterais e lombar. Na frente, há espaço em todas as dimensões. Atrás, apensar do ótimo vão para as pernas, os mais altos vão sofrer com a linha descendente do teto. A suspensão é rígida demais e transmite boa parte das imperfeições do piso para o interior. Nota 7.

Tecnologia
– O Optima foi apresentado muldiamente em 2010 com a plataforma inaugurada pelo Hyundai Sonata, lançado um ano antes. Ela alia bom espaço interno, graças ao entre-eixos de 2,79 metros, com uma interessante rigidez torcional. O motor de 2.4 litros até tem comando variável de válvulas na admissão e entrega bons 180 cv – embora o carro aceitasse um motor mais potente de bom grado. A transmissão de seis marchas é moderna e agrada. A lista de equipamentos traz o essencial para o segmento, como seis airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração e ainda câmara de ré integrada ao retrovisor. Falta apenas uma central multimídia mais moderna. Nota 8.
Habitalidade
– O Optima não tem um porta-malas dos mais espaçosos. Leva 437 litros – menos que vários sedãs compactos. E ainda tem alças que invadem a área das bagagens. Dentro da cabine, faltam porta-objetos práticos para uso rápido. O maior fica no console central, com tampa. Nota 7.
Acabamento
– Não impressiona. Nos lugares onde há maior interação entre carro e motorista, o acabamento até agrada. Há material emborrachado e até uma moldura de couro na parte central do painel. As portas também recebem um belo aplique de couro que aumenta a sensação de carro requintado. O problema fica nas partes onde a interação é menor. As hastes de seta e farol parecem frágeis, assim como as borboletas para trocas de câmbio. Parte inferior do painel e portas também recebem plásticos rígidos e rugosos pouco atraentes. Fica abaixo dos rivais europeus, embora não seja um mau lugar para se estar. Nota 7.
Design
– É o maior destaque do carro. As linhas do sedã médio-grande da Kia são agressivas e cheias de cortes angulosos e de personalidade. Dá a até a impressão de ser um carro mais caro do que é. As rodas de 18 polegadas dividem opiniões, mas, certamente, chamam a atenção. Nota 10.
Custo/benefício
– O Kia Optima está no meio do segmento de sedãs médios-grandes. Por R$ 104.900 ele é mais barato que Volkswagen Passat e Peugeot 508, que partem da faixa dos R$ 115 mil. Mas fica acima de concorrentes como Hyundai Sonata – com quem compartilha plataforma –, Chevrolet Malibu, Citroën C5 e do Ford Fusion – tanto o 2.5 como o V6. Nota 6.
Total
– O Kia Optima somou 71 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir
Deslumbre precoce
Difícil ficar indiferente a um Optima. Ele parace ser a arte final da nova identidade visual desenvolvida para a Kia. Tudo passa uma ideia de agressividade, mas sem exageros. Algo importante em um segmento onde muitos clientes já carregam cabelos brancos ou cabelo nenhum. Até por isso, existe um certo desapontamento com a maneira que o sedã acelera. Ele não é lento, é apenas correto. Diferentemente do que acontece do lado de fora, nada foge do esperado. O motor tem potência e torque suficientes para imprimir um comportamento que não impacienta, mas também não entusiasma. A transmissão até faz o seu trabalho competentemente, com trocas rápidas, mas não elimina um certo marasmo.
A coisa muda quando o Optima encara uma sequência de curvas. A Kia instalou uma suspensão bem rígida em seu médio-grande. E isso traz óbvios prós e contras. A favor fica o comportamento dinâmico, dos mais acertados do segmento. A carroceria rola pouco e o carro se mantém na mão mesmo quando o motorista exagera. Não há grande tendência de soltar a frente. O controle de estabilidade funciona em raras oportunidades.


Este conceito é interessante para estradas bem pavimentadas, mas cobra um preço quando se encara a realidade de 95% dos pavimentos brasileiras. O curso da suspensão é curto e não há grande absorção de impactos. A falta de conforto depõe contra o uso do Optima como sedã executivo. Apesar de ter um banco traseiro generoso para pernas e ombros. O espaço para a cabeça é um pouco pior graças o desenho teto. A coluna grossa também cria uma sensação de claustro, além de piorar a visibilidade do motorista.

O acabamento é outro que traz pontos pontos positivos e negativos. O visual agrada, com os elementos iluminados por uma cor vermelha forte. E, à primeira vista, a escolha dos materiais é acertada. Não chega ao nível de concorrentes europeus, como o Peugeot 508 e Volkswagen Passat, mas também não condena o modelo. Há até couro nas portas e na parte central do painel. Mas aí surge uma espécie de conteção de custos. Parece que só as partes onde os ocupantes enxergam receberam atenção extra. As hastes atrás do volante, as borboletas para mudanças de marcha e  vários outras peças rígidas do painel são em plásticos pouco nobres. Descuidos que remetem à Kia dos velhos tempos.
Ficha técnica
Kia Optima 2.4 16V
Motor:
A gasolina, dianteiro, transversal, 2.356 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão:
Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima:
180 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo:
23,6 kgfm a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso:
88,0 mm X 97,0 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão:
Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais e amortecedores a gás. Traseira independente do tipo Multilink, com molas helicoidais e amortecedores a gás.
Pneus:
225/45 R18.
Freios:
Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria:
Sedã médio-grande em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,84 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,45 m de altura e 2,79 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e do tipo cortina de série.
Peso:
1.551 kg.
Capacidade do porta-malas:
437 litros.
Tanque de combustível:
70 litros.
Produção:
Hwasung, Coreia do Sul
Lançamento mundial:
2010.
Lançamento no Brasil:
2012.
Equipamentos:
Airbags frontais, laterais e de cortina, freios ABS, ar-condicionado automático com duas zonas, rádio CD Player com entradas USB e para iPod, volante com revestimento em couro e comandos do som e computador de bordo, trio elétrico, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, faróis de neblina, controlador de velocidade de cruzeiro, controle de estabilidade e tração, bancos em couro com ajustes elétricos para o do motorista, fixação Isofix para cadeirinhas infantis, abertura interna do porta-malas.
Preço:
R$ 104.900.
Prós:

# Design
# Estabilidade

Contras:
# Conforto de rolagem
# Consumo
# Interatividade

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