segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Teste: Sucesso do Peugeot 308 é questão de tempo.

Teste: Sucesso do Peugeot 308 é questão de tempo
O moderno Peugeot 308 sofre de início, mas finalmente entra na briga entre os hatches médio. Discretamente, o Peugeot 308 vem angariando consumidores no mercado brasileiro. A rigor, sua chegada mal foi notada. Mas aos poucos, vai ganhando participação entre os hatches médios. De fevereiro, quando foi lançado, a agosto, ele vendeu apenas 6.500 unidades.
A média, em torno de 920 mensais, vem subindo mês a mês. Em junho, passou de 1.000, chegou a 1.100 em julho e em agosto bateu as 1.674 vendas. E não parece ter sido afetado nem pelo fato de ter sido lançado com um bom delay em relação à  Europa, onde chegou em 2008. Ainda mais porque, com exceção do Chevrolet Cruze, que também é de 2008, todos os rivais têm projetos mais antigos que o do 308.
O atual desempenho, no entanto, ainda não é o bastante para que o médio da Peugeot encare o líder do segmento, o Ford Focus, que somou no último mês 2.780 unidades, mas já é o suficiente pegar o vácuo do Hyundai i30, com 1.830 vendas, e ultrapassar o ancião Volkswagen Golf e o próprio Chevrolet Cruze hatch, que emplacaram, respectivamente 1.608 e 1.586 carros. No caso da versão mais equipada da linha 308, a testada Feline 2.0, certamente é a que ajuda o modelo francês a ganhar mais visibilidade, já que é muito bem dotado de equipamentos.


Grande parte desse bom desempenho no mercado tem a ver com  a concepção moderna. A plataforma é uma evolução da que o 307 usava,  é atual e agrada em todos os aspectos. A lista de equipamentos se destaca pela “fartura”. Nesta versão mais equipada, existem itens como seis airbags, controle de estabilidade e tração, luzes diurnas de led, rodas de liga leve de 17 polegadas, ar-condicionado dual zone, acabamento com detalhes em alumínio e um belo teto-solar panorâmico.
Outro bom motivo para crescer no segmento é o preço praticado pela Peugeot. O Feline sai a R$ 65.990 e chega a R$ 69.090 com todos os opcionais. Estes valores são próximos aos praticados pelo líder do segmento, o Focus, que não recebe sistema de navegação. O terceiro elemento que tem ajudado o 308 é o visual. As linhas, apesar de não serem muito originais nem ousadas, ajudam a emprestar uma imagem de requinte. E o modelo está em perfeita sintonia com o 308 vendido na França. Apesar de lembrar o antecessor 307, traz uma importante evolução: é mais moderno e sofisticado.
O que ainda não acompanha a vanguarda do resto do carro é o conjunto mecânico. Nas versões mais fortes, o motor 2.0 de 151 cv e 22 kgfm já era usado no próprio 307, por exemplo. Ao menos ele ainda desenvolve bons números de potência e torque para o segmento. O maior problema fica na transmissão. É a antiga e já ultrapassada automática de quatro velocidades. Nos modelos de entrada há o novo motor 1.6 flex de 122 cv que dispensa o uso de tanque para partida a frio. Embora menos potente, se mostra mais adequado a um carro que precisar passar a imagem de modernidade. Mas a imagem do 308 só vai se formar integralmente quando hospedar sob o capô, no final do ano, o motor Prince, com turbo de alta pressão e câmbio de seis marchas.

Ponto a ponto
Desempenho – O trem de força do 308 é bem discrepante. O motor 2.0 de 151 cv com etanol é competente para mover um carro das proporções do médio francês. Há força o suficiente para retomadas e acelerações. O torque máximo não está disponível em rotações baixas – só aparece em sua totalidade aos 4 mil giros –, mas na faixa de uso normal o modelo tem bastante força. O problema é a antiquada transmissão automática de quatro velocidades. Ela é lenta nas trocas e tem escalonamento muito aberto, o que força as marchas serem esticadas demais. Parece jogar fora parte substancial do bom trabalho que o motor realiza. Esta impressão é tanto pior quanto mais se exige do carro. Numa condução mais “social”, o 308 se mostra mais agradável. Nota 7.
Estabilidade – O médio da Peugeot é um carro bem acertado dinamicamente. As proporções do hatch médio já ajudam a deixar o modelo plantado no chão e o acerto da suspensão faz o resto do trabalho. Dá até para promover uma tocada esportiva que o 308 responde com estabilidade quase constante. Nas retas também apresenta bastante precisão na direção, mesmo em altas velocidades. Nota 8.
Interatividade – Assim como no desempenho, o 308 traz bons acertos e falhas neste quesito. O painel de instrumentos é claro e tem ótima visualização. A visibilidade em quase todos os ângulos é outro item positivo. O sistema de entretenimento é completo, com direito a GPS – mesmo que seja preciso se familiarizar com o programa para extrair tudo que oferece. Faltam, no entanto, comandos do rádio no volante – a Peugeot ainda utiliza uma pouco prática alavanca na coluna de direção – e borboletas no volante para comandar o impreciso câmbio automático. Nota 7.
Consumo – A Peugeot até cedeu alguns modelos para os testes do InMetro, porém o 308 não foi um deles. O computador de bordo marcou 8,2 km/l de gasolina em trajeto misto. Nota 6.
Conforto – O espaço interno é condizente com o segmento. Isso significa que há lugar para quatro adultos viajarem com boa dose de conforto e ainda levar uma criança no meio sem apertos. Alguém maior no meio pode sofrer um pouco. A grande área envidraçada e o teto elevado e em vidro ajudam a elevar a sensação de conforto no interior. O rodar é adequado para pisos liso. Em ruas esburacadas, a suspensão rígida e os pneus de perfil fino transmitem mais imperfeições para a cabine do que o desejado, mas sem maiores trancos. O isolamento acústico é bem eficiente. Nota 8.
Tecnologia – O 308 tem uma base razoavelmente recente, de 2008. Em um mercado periférico como o brasileiro, isso o deixa entre os hatchs médios de plataforma mais moderna. O motor já é usado no Brasil há algum tempo, é potente, prima pela robustez e continua agradando. Só o antigo câmbio de quatro marchas decepciona e destoa do conjunto, mesmo sendo um autêntico Tiptronic. A versão topo de linha, Feline, é completa. Traz seis airbags, ABS, controles de estabilidade e tração, luzes diurnas de led e GPS como opcional. Nota 9.

Habitalidade – O 308 é um veículo amplo, com acessos largos que facilitam a entrada e saída. Na cabine existem porta-objetos em quantidade suficiente. O porta-malas leva 430 litros, um pouco acima da concorrência. Nota 8.
Acabamento – Um dos destaques do modelo francês. Foi aproimorado em relação ao antecessor, 307, que já tinha um padrão bastante bom. O painel é todo revestido com plástico emborrachado, que aumenta a sensação de requinte. Na parte inferior há um aplique com um material mais rígido, mas com pintura que lembra um alumínio fundido. O volante e os assentos são revestidos com couro vistoso e de alta qualidade. Nota 9.
Design – Neste aspecto, o 308 é uma evolução quase previsível do 307. O hatch tem um visual moderno e transmite uma boa dose de sofisticação, mas falta ousadia. Pelo menos, está atualizado com o modelo vendido na Europa, que está em sua segunda fase, e já recebeu as luzes diurnas de led, que ajudam a compor a dianteira. Nota 8.
Custo/benefício – Como ainda é recém-chegado no mercado, o 308 está com preço bem semelhante aos dos concorrentes diretos. Mesmo em se tratando de um modelo mais moderno. Todos os modelos top de 308, Focus e Citroën C4 saem em torno de R$ 65 mil e vão a R$ 69 mil com todos os opcionais. O único que sai da curva é o também moderno Chevrolet Cruze Sport6, que custa R$ 74.892. Nota 8.
Total – O Peugeot 308 Feline 2.0 somou 75 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
 Clássico moderno
Mesmo sem maiores ousadias, o 308 tem bastante apelo visual. Não difere muito do seu antecessor, o 307, mas é um conjunto harmônico e suave, uma espécie de evolução de um conceito já consagrado. A escolha da Peugeot foi criar um carro que passe ideia de requinte em detrimento da esportividade. Na versão topo de linha, as luzes diurnas de led e os diversos cromados espalhados pela carroceria fazem o papel de emprestar esta sofisticação extra.
A impressão é parecida no interior. O acabamento é muito bom e a maior parte do painel recebe um material emborrachado. E mesmo as partes de plástico rígido causam boa impressão e mantém a qualidade do conjunto. Há couro nos bancos, portas, volante e alavanca do freio de mão. Além de ser um carro relativamente espaçoso, a amplitude no interior é aumentada com o imenso teto de vidro que se estende por quase toda a extensão do habitáculo.

Tudo parece contribuir para um veículo confortável ao rodar. Mas não é exatamente isso que acontece. Não que o 308 seja desconfortável, mas ele necessita de um piso liso para entregar uma vida “tranquila” aos ocupantes. A versão Feline tem rodas de 17 polegadas com pneus de perfil esportivo que, junto com a suspensão um tanto rígida, passam algumas vibrações para o interior em superfícies irregulares.
Ao menos isso melhora o comportamento dinâmico. Ele é bem construído e se “segura” nas curvas com muita competência. O acerto duro da suspensão e a plataforma com rigidez torcional conseguem manter o hatch sempre em uma trajetória previsível e sem sustos.
O motor 2.0 de 151 cv até tenta entregar um desempenho condizente, mas é atrapalhado pelo câmbio. Como tem apenas quatro marchas, o escalonamento é muito aberto. Há buracos entre as marchas, principalmente entre a segunda e terceira. No final, o bom motor apenas compensa um pouco esta perda. Esta equação deve ser radicalmente alterada com a entrada do motor THP, que será apresentada no Salão de São Paulo, no fim de outubro. Com 165 cv, turbo e transmissão automática de seis marchas, vai eliminar qualquer ideia de modelo pacato que se possa fazer do 308.
 
 Ficha técnica
Peugeot 308 Feline 2.0
Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.997 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando variável de válvulas. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio automático com quatro marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima: 151 cv a 6 mil rpm e 143 cv a 6.250 rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 22 kgfm e 20 kgfm a 4 mil rpm com etanol e gasolina.
Diâmetro e curso: 85,0 mm X 88,0 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, com rodas independentes, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidraulicos pressurizados. Traseira com rodas independentes, travessa deformavel e amortecedores hidráulicos pressurizados.
Pneus: 225/45 R17.
Freios: Dianteiros a disco ventilados e traseiros a discos sólidos. Oferece ABS de série.
Carroceria: Hatchback em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,27 m de comprimento, 1,81 m de largura, 1,49 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.387 kg.
Capacidade do porta-malas: 430 litros.
Tanque de combustível: 60 litros.
Produção: El Palomar, Argentina.
Lançamento: 2012.
Lançamento na Europa: 2008.
Itens de série: Seis airbags, ABS, ar-condicionado digital, banco do motorista com regulagem de altura, volante com regulagem de altura e profundidade, computador de bordo, direção eletro-hidráulica, pára-brisa acústico, trio elétrico, faróis de neblina dianteiros, sensor de luminosidade, apoios de braço centrais, sensor de chuva, retrovisor interno eletrocrômico, rádio/CD/MP3/USB/iPod/Aux, controle de estabilidade e de tração, luzes diurnas de led, sensor de estacionamento traseiro, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, teto panorâmico de vidro, bancos de couro e rodas de 17 polegadas.
Preço: R$ 65.990
Opcional: Pintura metálica e GPS
Preço final: R$ 69.090.
 Fonte: MotorDeam/Rodrigo Machado/Auto Press

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