sábado, 29 de setembro de 2012

Teste: Volvo além do próprio tempo com o V60 Sportwagon.

Teste: Volvo além do próprio tempo com o V60 Sportwagon
Volvo lança a bela e esportiva station V60 no Brasil em busca de clientes mais jovens para a marca. A Volvo tinha um problema. A maioria de seus modelos agradava quase que exclusivamente a um público mais velho e conservador, que se encantava com a segurança embarcada e solidez dos modelos suecos. (VEJA MAIS)Mas o tempo passou e a clientela não foi muito renovada. Daí surgiu a necessidade de rejuvenescer a linha. Desde 2010 – quando a marca sueca foi vendida pela Ford à chinesa Geely –, os sedãs, peruas e utilitários da Volvo ganharam design agressivo e mais moderno. Tudo para atrair os olhares de um público que ainda não ostenta cabelos grisalhos e vê a aposentadoria apenas em um futuro distante. Tal estratégia de renovação é bem exemplificada com o lançamento da nova station da Volvo ao Brasil. A V60 Sportwagon chega em três versões de acabamento e dois motores turbocomprimidos. Todas também são equipadas com o kit R-Design, que as deixa ainda mais esportivas e joviais.
 
Em relação ao sedã em que é baseada, o S60, a station é R$ 5 mil mais cara. A versão de entrada é a T5 Comfort, vendida a R$ 130.900. A intermediária é a T5 Dynamic, a R$ 149.900, enquanto a topo é a T6, por R$ 199.900. Como de hábito, a Volvo aponta as marcas alemãs como principais rivais. Audi A4 Avant – que parte de R$ 150 mil –, Volkswagen Passat Variant – por volta de R$ 130 mil – e a Mercedes-Benz Classe C Touring – também por R$ 150 mil. A ideia da marca sueca é vender algo 100 unidades até o fim do ano.

A diferença entre as duas primeiras está simplesmente nos equipamentos. A mais barata já vem com ar digital, rádio com tela de 5 polegadas e oito alto-falantes, bancos e volante esportivos com revestimento de couro como principais itens de conforto. Como é lei na Volvo, a lista de equipamentos de segurança é bem mais extensa. A V60 vem de série com seis airbags, controle de estabilidade e tração – com sistema que transfere o torque durante as curvas – e o City Safety, que freia automaticamente o veículo em situações de colisão eminente a até 50 km/h. Os R$ 19 mil a mais da Dynamic incorporam sensores de luminosidade e chuva, faróis de xenon, banco do motorista com regulagem elétrica e teto solar.

A parte mecânica é a mesma. Sob o capô aparece o 2.0 Ecoboost de quatro cilindros. Desenvolvido na época em que a Volvo era controlada Ford, ele já está em modelos como o Range Rover Evoque – outra marca que já pertenceu à empresa norte-americana – e vai aparecer no novo Fusion, por exemplo. No V60, ele desenvolve 240 cv 32,6 kgfm de torque entre 1.800 e 5 mil rpm. Junto com a transmissão automatizada de dupla embreagem, o conjunto leva a perua à 100 km/h em 7,7 segundos. Ainda há o kit R-Design – também presente na T6 – que adiciona elementos estéticos esportivos e ainda deixa todo o conjunto de suspensão mais rígido.  


Na topo de linha, o desempenho da perua fica ainda mais condizente com a proposta da Volvo ao chamá-la de Sportwagon. O motor 3.0 turbo tem 304 cv e 44,9 kgfm de torque. Nesse caso, o câmbio é automático, com as mesmas seis velocidades e a tração é integral, o que ajuda a levar a perua até os primeiros 100 km/h em 6,2 segundos. Evidentemente, o “recheio” da T6 é maior. A configuração top acrescenta controle de cruzeiro adaptativo, sistema de detecção de pedestres, sistema de entretenimento com DVD, GPS e tela de 7 polegadas, câmara de ré e assistente de mudança de faixa de rolagem.

Os bons atributos técnicos só provam a já tradicional qualidade dos modelos da Volvo nesse aspecto. O que significa que, para se diferenciar dos antigos modelos da fabricante – e atingir um novo público –, foi necessário aperfeiçoar a estética. Tudo inspirado pela nova identidade visual da marca, que deixa de lado as tradicionais linhas retas e sisudas por novas muito mais fluidas e atraentes. Na frente, ela se expressa por um perfil forte, baixo e pelos  faróis duplos. De lado, a linha de cintura dá show com um aspecto dinâmico e elegante. Atrás, a Volvo não fugiu das tradições e manteve as lanternas verticais – indefectível característica das stations da marca desde a 850 SW, lançada há 20 anos. Afinal, mesmo dentro da estratégia de renovar o visual, é importante preservar alguns detalhes que definem a personalidade da marca. Para que um Volvo nunca deixe de ser um Volvo.
 
Primeiras impressões
Perua modernosa
São Paulo/SP – Ao olhar a V60 de perto fica difícil imaginar porque as peruas estão cada vez mais escassas nas ruas em detrimento aos utilitários. A mais recente station da Volvo dá aula em termos de design na maioria dos SUVs e crossovers vendidos hoje em dia. A V60 vai bem também em tremos de praticidade. No bagageiro leva 430 litros até a altura das janelas. Área que pode ser ampliada para 1.241 litros com o rebatimento dos assentos traseiros. 

Depois de apreciar o belo exterior, entrar na cabine da perua passa uma sensação de decepção. A ousadia que a equipe de design da Volvo esbanjou do lado de fora parece que faltou do lado de dentro. O console central vazado é bonito, mas é praticamente o mesmo desde o seu lançamento no cupê C70, em 2006. Em uma época em que o exterior dos modelos suecos ainda careciam de modernidade. O quadro de instrumentos é vistoso, com elementos azuis, mas um tanto simples para um carro premium – o computador de bordo beira a banalidade. O acabamento interno mistura harmoniosamente couro de qualidade e alumínio escovado. A alavanca de câmbio é diferente, com a parte de cima transparente e iluminada por leds.


Para o bem da Volvo, toda essa impressão de falta de ousadia interna muda ao se sentar no lugar do motorista. A posição de dirigir é baixa, dá ótima visibilidade e ainda é bem esportiva. O volante exclusivo da série R-Design é grande, mas com boa pegada, e a direção é direta. Mesmo na versão básica, a testada T5, o motor é outro destaque. Já conhecido de outros carros – e de marcas absolutamente variadas – ele sobra na V60. O alto torque já disponível antes das 2 mil rotações faz a alegria de quem gosta de pisar fundo. As acelerações são vigorosas, com direito até a um ligeiro esterçamento por torque. Na estrada entre São Paulo e Porto Feliz, as retomadas também se mostraram altamente satisfatórias. É só “chamar” que a transmissão logo reduz duas marchas, joga o giro do motor para cima e afunda as costas dos ocupantes nos encostos dos bancos.

Tanto ímpeto é acompanhado de um equilíbrio surpreendente. Todas as V60 importadas serão equipadas com o kit R-Design que, além de apimentar o visual, deixa a suspensão mais dura. Na prática, deixa a perua tremendamente estável. Em retas, dá até para tirar as duas mãos do volante sem medo de perder o controle do carro. Nas curvas, o conjunto segura e deixa o veículo sempre na mão do motorista.


Mas basta passar na primeira valeta da capital paulistana para perceber que a V60 não é muito adepta dos buracos. A suspensão dura, as rodas de 18 polegadas e os pneus esportivos de medida 235/40 transmitem as pancadas para o interior sem cerimônias. Alguns eventuais sacolejos são o “preço a se pagar” pelo comportamento dinâmico que se tem à disposição quando se exige esportividade da perua sueca. 
 
Ficha técnica
Volvo V60
Motor versão T5: Gasolina, dianteiro, transversal, 1.999 cm³, quatro cilindros em linha, duplo comando no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e turbocompressor. Injeção direta e acelerador eletrônico.
Motor versão T6: Gasolina, dianteiro, transversal, 2.953 cm³, seis cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e turbocompressor. Injeção direta e acelerador eletrônico. 
Transmissão versão T5: Câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira, com controle eletrônico de tração.
Transmissão versão T6: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral com controle eletrônico de tração. 
Potência máxima versão T5: 240 cv a 5.500 rpm.
Potência máxima versão T6: 304 cv a 5.600 rpm.
Torque máximo versão T5: 32,6 kgfm entre 1.800 e 5 mil rpm.
Torque máximo versão T6: 44,9 kgfm entre 2.100 e 4.200 rpm.
Diâmetro e curso versão T5: 87,5 mm X 83,1 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Diâmetro e curso versão T6: 82,0 mm x 93,2 mm. Taxa de compressão: 9,3:1.
Aceleração 0-100 km/h versão T5: 7,7 segundos.
Aceleração 0-100 km/h versão T6: 6,2 segundos.
Velocidade máxima: 250 km/h limitada eletronicamente nas duas versões.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira independente com braços múltiplos, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.
Pneus: 235/40 R18.
Freios: Discos ventilados na frente e atrás. ABS de série.
Carroceria: Station wagon em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,63 metros de comprimento, 1,87 m de largura, 1,48 m de altura e 2,78 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso: 1.568 kg.
Capacidade do porta-malas: 430 litros.
Tanque de combustível: 67,5 litros.
Produção: Ghent, Bélgica. 
Itens de série: 
Versão T5 Comfort: Ar-condicionado digital, trio elétrico, direção elétrica, rádio/CD/MP3 com tela de 5 polegadas e oito alto-falantes, bancos e volante esportivos com revestimento de couro, airbags frontais, laterais e de cortina, ABS com EBD controle de estabilidade e tração, City Safety.
Preço: R$ 130.900.
Versão T5 Dynamic: Adiciona  sensores de luminosidade e chuva, faróis de xenon, banco do motorista com regulagem elétrica e teto solar.
Preço: R$ 149.900.
Versão T6: Adiciona motor mais forte, controle de cruzeiro adaptativo, sistema de detecção de pedestres, sistema de entretenimento com DVD, GPS e tela de 7 polegadas, câmara de ré e assistente de mudança de faixa de rolagem.
Preço: R$ 199.900.

 Fonte: Rodrigo Machado/Auto Press

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Outras Matérias:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...