segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Chevrolet Trailblazer chega de olho no futuro, mas com um pé no passado.

BlazerEvolução do modelo é maior em relação a seu próprio antecessor do que com seus rivais. Desenvolvida junta com a S10, modelo repete o visual da picape na dianteira. Mais moderna, econômica, espaçosa e segura. Os atributos da nova geração da Chevrolet Blazer (agora chamada de Trailblazer) são inúmeros quando comparados com sua antecessora. (VEJA FICHA COMPLETA)Porém o salto se dá mais pela estagnação do modelo antigo, cujo projeto tinha mais de 17 anos. Em relação à concorrência o Trailblazer mostra-se um rival em potencial, mas não um líder a ser batido.

A Chevrolet precisa agora correr atrás do prejuízo para voltar a disputar um segmento que ela mesmo criou há 53 anos, quando a Amazona foi lançada. Considero pelos especialistas como o primeiro utitilitário esportivo do Brasil, o modelo iniciou um legado que foi continuado pela C-1416 (depois rebatizada de Veraneio) e pela Blazer. Em comum entre eles estão a praticidade e versatilidade, o que explica a predileção de frotistas e governos para comprar o modelo.

Porém nos últimos anos a Blazer estava restrita a estes consumidores, enquanto famílias mais abonadas migravam para os novos SUV asiáticos, mais modernos e equipados. E é justamente por esse público que a Chevrolet pretende iniciar a cruzada para recuperar o terreno perdido. Nos próximos meses o Trailblazer será vendido apenas na versão topo de linha LTZ, com motor V6 3.6 de 239 cv a gasolina (R$ 145.450) e um 2.8 turbodiesel de 180 cv (R$ 175.450).


Diante da antiga Blazer os números impressionam, principalmente o preço — o valor supera o cobrado pela Mitsubishi Pajero Dakar e é similar ao da Toyota Hilux SW4 de cinco lugares (por enquanto o Trailblazer terá apenas a versão com três fileiras de bancos). O posicionamento mostra o alvo do SUV: o restrito mercado liderado pela Toyota, que emplacou segundo a Fenabrave, até o fechamento desta matéria, 8.398 unidades em 2012.


Veja as diferenças entre as duas gerações do Blazer:




De cima para baixo
Inicialmente as asiáticas não precisarão se preocupar com a nova rival, que ataca apenas suas versões topo de linha. Oficialmente a Chevrolet nega a intenção de produzir versões de cinco lugares com motor flex, mas fora dos microfones a ampliação do catálogo do Trailblazer é certa, principalmente para retomar a disputa do maior mercado da Blazer antiga: o de frotistas e licitações governamentais.


Porém para isso ocorrer a Trailblazer passará por uma grande redução em sua lista de itens de série, que é próxima à da concorrência: seis airbags, ABS, controle de tração, estabilidade e de descida, ar-condicionado digital com saídas no teto para a segunda e terceira fileiras e GPS estão entre os acessórios que vem de fábrica. Parece muito, mas ainda faltam câmera de ré (só há sensor de estacionamento traseiro) e faróis de xenônio para se equiparar à líder Hilux SW4.


Blazer

A traseira  do Trailblazer repete a solução do S10 e usa LEDs nas luzes de freio e de posição
(Crédito: Divulgação)

Olhar no futuro, pé no passado
A comparação mostra o mesmo que ocorreu com o S10. Em relação à sua geração anterior o novo Trailblazer está muito mais refinado e moderno — nada mais justo, afinal o projeto do Blazer datava de 1995. Porém nos 17 anos em que o modelo ficou estagnado a concorrência evoluiu a ponto de tornar o Trailblazer um carro atraente, mas não revolucionário.


As virtudes e defeitos do modelo ficam ainda mais claros quando ele é exposto aos dois cenários mais extremos que ele poderá enfrentar: congestionamento pesado nas grandes cidades e trilhas no fora-de-estrada. E as duas situações estiveram presentes nos 100 quilômetros que
R7 Carros percorreu durante a avaliação do carro.

A unidade avaliada era equipada com um 2.8 de quatro cilindros com turbo e injeção direta de diesel, capaz de gerar 180 cv de potência (a 3.000 rpm) e 47,9 kgfm de torque (a 2.000 rpm). Como é esperado desde tipo de motor há força de sobra desde a primeira pisada no acelerador, ainda que o efeito de patinação provocado pelo conversor de torque desperdice parte do desempenho.


Outra característica crônica dos motores diesel, o ruído também está presente na Trailblazer, principalmente acima das 3.000 rpm e em marcha-lenta. O barulho não chega a ser um grande incômodo, mas é elevado quando comparado com modelos como Land Rover Freelander e Volkswagen Amarok.


Simplicidade e moleza
Uma das marcas da Blazer antiga era sua suspensão mais firme quando comparada com as últimas gerações de SUV. Em sua nova geração modelo ficou mais macio, o que é ótimo para enfrentar buracos e valetas na cidade, mas nem tanto para viajar. A velocidades de até 120 km/h o Chevrolet apresenta um comportamento de “flutuação”, quando a direção se torna mais leve e a carroceria fica mais suscetível a ventos laterais. Isso torna o ato de ultrapassar os limites de velocidade ainda pior, já que a estabilidade do modelo compromete-se rapidamente nesta situação.


A direção macia facilita manobras, mas não endurece o suficiente quando o carro começa a desenvolver maiores velocidades. O mesmo se repete com o câmbio, que troca as marchas com suavidade, mas não acompanha um motorista que opte por uma tocada mais esportiva, mesmo que ele use as trocas sequenciais pela alavanca.


Blazer

Interior é igual ao da picape, mas acabamento não condiz com o preço do Trailblazer
(Crédito: Divulgação)

Em uma condução mais tranquila a Trailblazer se equivale à concorrência e ainda conta com outras virtudes, como o conforto para os passageiros da terceira fileira. Lá encosto e assento são grandes, ao contrário do que ocorre no Hilux SW4. Os joelhos e cabeça de um passageiro de até 1,75 m de altura ficam livres de encostos e esbarrões no interior.


Como não há milagres, com os bancos extras erguidos o porta-malas fica com módicos 235 litros. Caso a terceira fileira seja rebatida o volume sobe para 878 litros, chegando a até 1.830 litros com a segunda fileira rebatida.


No dia a dia o Trailblazer certamente irá agradar os proprietários do modelo anterior, mas não encantará tanto quem já tem um SUV de última geração. O acabamento do Trailblazer não é ruim, mas está aquém do esperado para um carro de quase R$ 200 mil. O mesmo ocorre com o GPS, que é eficaz, mas aparenta ser um acessório de concessionária, e não um item original do carro.


Diante do salto em relação à geração antiga o Trailblazer certamente cumprirá com louvor a meta da GM de vender até 400 carros por mês. Porém o modelo precisará de mais versões e maior atenção na gama topo de linha para flertar com a líder do segmento, cujas vendas médias são de 790 unidades.

Chevrolet lança Trailblazer por R$ 145.450
Nova geração do utilitário estreia na versão top e briga com Hilux SW4, Pajero Dakar e Grand Cherokee
 
  Chevrolet Trailblazer
LTZ 4X4
Jeep Grand Cherokee
Limited 4X4
Mitsubishi Pajero
Dakar HPE 4X4
Toyota Hilux SW4
SRV 4X4
Motor 2.8 diesel turbo 3.6 V6 VVT gasolina 3.2 diesel turbo 3.0 diesel turbo
Potência 180 cv a 3.800 rpm 286 cv a 6.350 rpm 170 cv a 3.500 rpm 171 cv a 3.600 rpm
Torque 47,9 kgfm a 2.000 rpm 35,4 kgfm a 4.300 rpm 35,0 kgfm a 2.000 rpm 36,7 kgfm entre
1.400 e 3.200 rpm
Câmbio Automático,
seis marchas
Automático,
cinco marchas
Automático,
quatro marchas
Automático,
cinco marchas
Dimensões 4,87 (comprimento)
1,84 (altura)
1,90 (largura)
2,84 (entre-eixos)
4,82 (comprimento)
1,78 (altura)
1,91 (largura)
2,91 (entre-eixos)
4,69 (comprimento)
1,80 (altura)
1,81 (largura),
2,80 (entre-eixos)
4,70 (comprimento)
1,85 (altura),
1,84 (largura),
2,75 (entre-eixos)
Passageiros 7 5 7 7
Porta-malas 235 a 1830 litros
(banco traseiro rebatido)
457 a 1.554 litros
(banco traseiro rebatido)
ND* 900 litros
(terceira fileira de
bancos rebatida)
Capacidade
de carga
593 kg 500 kg 615 kg 580 kg
Peso 2.157 kg 2.191 kg 2.095 kg 2.020 kg
Preço R$ 175.450 R$ 179.900 R$ 158.990 R$ 181.000
Garantia 3 anos 1 ano 3 anos 3 anos
Fonte: Rodrigo Ribeiro/R7

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