segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Mercado de motos de alta cilindrada cresce e contraria média geral do segmento.

Mercado de motos de alta cilindrada cresce e contraria média geral do segmentoSegmento de maior cilindrada resiste ao momento ruim e pode crescer mais em 2013. É raro encontrar verdades absolutas em qualquer assunto. Quando as afirmações se referem à indústria automotiva, os conceitos são ainda mais flexíveis.
(VEJA AS FOTOS DAS MOTOS)
E o setor de motocicletas é um bom exemplo. Enquanto, de um modo geral, o segmento registrou acentuada queda em 2012, as motos de alta cilindrada fecharam o ano com vendas aceleradas. Para se ter uma ideia, BMW Motorrad e Harley-Davidson foram as únicas marcas associadas à Abraciclo, entidade que reúne as principais fabricantes da categoria, com números positivos no fechamento do ano passado. É claro que, por serem produtos de menor volume de comercialização, as boas vendagens das motocicletas caras não bastaram para embalar os índices gerais. Mas demonstra que o mercado brasileiro evolui e começa a abrir espaço para os modelos mais potentes e requintados.

A principal explicação para a consistência do mercado de motocicletas grandes é a menor necessidade de crédito. O grande índice de inadimplência do consumidor brasileiro faz com que as instituições financeiras adotem uma postura muito mais rigorosa com relação à concessão de financiamentos. O resultado é sentido diretamente pelos compradores de motos mais em conta. Como o valor das motocicletas grandes é consideravelmente elevado em relação às de baixa cilindrada, o público-alvo acaba sendo a parcela mais abastada da sociedade – justamente a que raramente precisa de crédito. Além disso, o segmento de alta cilindrada ainda é pouco maduro no Brasil. Em 2012, foram 48.650 unidades vendidas, o que representa menos de 3% de todo o mercado – 1.625.446 unidades. Isso dá às fabricantes uma margem maior de crescimento, principalmente quando se compara a países europeus como a Alemanha, onde 80% do mercado é de motos premium.



No entanto, se em termos absolutos o volume é baixo, quando avalia-se o
faturamento, a representatividade do segmento sobe para 14% do total. Isso porque o preço médio de entrada de um modelo acima de 600 cilindradas, que gira em torno de R$ 40 mil, pode ser até seis vezes maior que o de uma moto pequena – geralmente cerca de R$ 7 mil. Para 2013, a tendência é que os números continuem subindo. “Neste ano o segmento de motocicletas premium deverá crescer. Possivelmente menos que no ano passado, mas pela primeira vez ultrapassaremos as 50 mil unidades. E, em dez anos, teremos passado das 100 mil anuais, afirma o diretor da BMW Motorrad do Brasil, Rolf Epp.

Para o executivo, uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro foi determinante para aumentar o potencial de vendas das motos mais caras.
“Hoje o consumidor sente menos medo de expor o que tem. Enquanto anos atrás guardavam o luxo para o que tinham em suas casas, hoje ostentam motos que mostrem que são capazes de comprar”, avalia Rolf. Já Júlio Vitti, gerente de marketing da Harley-Davidson do Brasil, aponta outra razão. “Há o fator econômico, mas também uma demanda reprimida para esse mercado que vem sendo suprida pela grande quantidade de lançamentos e opções de produtos, algo que não existia três anos atrás”, diz Vitti.

A BMW F800 GS foi o modelo mais vendido no Brasil entre as motos de alta cilindrada, com 2.539 unidades emplacadas. A bigtrail da marca alemã, renovada na metade do ano passado, é equipada com um propulsor de 798 cc e dois cilindros, que entrega 75 cv de potência a 7.300 giros. A moto, que pode ser usada também em percursos off-road, tem torque máximo de 7,8 kgfm, alcançado aos 5.500 rpm. O freio é a disco duplo e a aventureira conta ainda com ABS.


O segundo lugar ficou com a Honda CB1000R (foto acima). A fabricante, líder geral do mercado brasileiro de motocicletas, teve números negativos, já que também atua nos segmentos menores. Mas a streetfighter, de R$ 40.050, registrou 2.378 emplacamentos. A sua potência é de 125 cv a 10 mil rpm, com peso de 205 kg. O torque é de 10,1 kgfm aos 7.740 giros. A exemplo da compatriota, a Yamaha também teve na categoria um alento para o desempenho ruim. A XVS 950 Midnight Star vendeu 1.080 unidades. A custom tem 2,43 m de comprimento, motor de 942 cc, em “V” a 60º com dois cilindros e oito válvulas. A moto entrega potência de 53,6 cv a 6 mil rpm, 7,8 kgfm de torque e conta com sistema de alimentação por injeção eletrônica.
A Harley-Davidson, assim como a BMW Motorrad, só comercializa no Brasil motos de alta cilindrada. Por isso, não sentiu os efeitos da retração. E o principal destaque da fabricante norte-americana foi a Fat Boy 1600, que vendeu 788 unidades ao longo de 2012. A mecânica é composta pelo motor Twin Cam 96B de 1600 cc, transmissão de seis marchas, além do escapamento duplo estilo shotgun e freios com ABS de série.
A situação não foi muito favorável para outras duas marcas japonesas. Suzuki e Kawasaki, que também atuam nos segmentos de menor cilindrada, foram puxadas para baixo pelos problemas que o mercado atravessou. É claro que as duas marcas venderam mais motos pequenas do que de alta cilindrada. Mas as esportivas ajudaram expressivamente no faturamento das fabricantes. A Suzuki, por exemplo, emplacou 632 unidades da GSX-R750, que custa R$ 66.900. O motor, de quatro cilindros em linha com comando duplo no cabeçote, entrega 150 cv a 13.200 rpm, com torque de 8,8 kgfm a 11.200 giros. Já a Kawasaki, com sua Z750, teve 909 licenciamentos, mas o modelo vai dar lugar, em 2013, à Z800. Com isso, o “posto” de líder da marca entre as motos grandes foi herdado pela Z1000. Também com motor de quatro cilindros em linha, mas com 138 cv de potência a 9.600 rpm e 11,2 kgfm de torque aos 7.800 giros, a super naked parte de R$ 42.990.
 
 
FONTE: Michael Figueredo/Auto Press/MotorDream

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