segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Teste: Hyundai HB20X – Para levantar poeira.

Teste: Hyundai HB20X – Para levantar poeiraHyundai ataca de HB20X para encarar CrossFox e Stepway na briga dos compactos aventureiros. Depois do sucesso do HB20 – que três meses após o lançamento já se posicionou como o sétimo veículo mais vendido do Brasil em dezembro –, a Hyundai não quis esperar muito para lançar o segundo produto de sua fábrica em Piracicaba, no interior paulista.(VEJA FOTOS DO CARRO) É o HB20X, a versão com roupagem lameira do hatch, que começa a ser produzido em série no dia 28 de janeiro. Vai brigar em um nicho de mercado tipicamente brasileiro – o de compactos aventureiros. São veículos pequenos e sem efetiva capacidade off-road, no máximo uma suspensão ligeiramente elevada e pneus maiores, mas adereçados como se fossem verdadeiros jipes. Algo sob medida para atender a demanda aspiracional de consumidores que vivem engarrafados nas grandes cidades, mas que sonham ter mais contato com a natureza. E se imaginam a bordo de um poderoso veículo, capaz de enfrentar qualquer obstáculo. 
Esse nicho de mercado tão motivado por fatores emocionais foi inaugurado com a perua Fiat Palio Adventure, em 1999, e hoje abriga também monovolumes como o Fiat Idea Adventure, o Citroën C3 Aircross e o recém-lançado Honda Fit Twist, além de hatches como Renault Sandero Stepway e Volkswagen CrossFox. Modelos como o Ford Ecosport e Renault Duster, também derivados de plataformas compactas, são considerados utilitários esportivos leves e, por isso, brigam em outro segmento. O CrossoFox é assumidamente o “alvo preferencial” do HB20X, segundo a própria Hyundai.

Por fora, a diferença mais evidente em relação ao HB20 normal são os revestimentos em plástico preto nas bordas dos para-lamas e saias para proteger a carroceria – um indefectível lugar-comum entre aventureiros. Os alongados faróis com máscara negra lembram garras e se integram à grade hexagonal em estilo colmeia, inspirada no utilitário esportivo ix35. No perfil, a linha de cintura, ressaltada por um vinco, é elevada e ascendente. Os espelhos tem luzes de seta integradas. As formas mais bojudas dos parachoques reforçam o aspecto robusto. A suspensão foi elevada em 4 centímetros e os pneus da nova versão são um pouco mais incorpadas – 195/65 R15 contra  185/65 R15 do HB20. E o teto ganhou racks com acabamento em alumínio.

Por dentro, o HB20X mantem a estética do modelo de origem, com óbvia inspiração aerodinâmica. O padrão de acabamento e revestimentos é bom e a impressão geral é uma mistura equilibrada de modernidade, esportividade e robustez. São duas versões de acabamento. A Style já traz de série itens como direção hidráulica, ar condicionado, airbag duplo, computador de bordo, banco do motorista com regulagem de altura, comando interno de abertura da tampa de combustível, vidros elétricos nas quatro portas e onetouch para o motorista, chave estilo canivete, travamento automático das portas aos 15 km/h, alarme periférico, rodas de liga-leve e desembaçador do vidro traseiro.

A Premium acrescenta filtro anti-odor no ar-condicionado, porta-óculos, alças de segurança, gancho para paletó, aviso sonoro de abertura de porta, dois tweeters e palhetas do limpador de parabrisas tipo “aeroblade”, volante e manopla revestidos em couro, acendimento eletrônico dos faróis, banco traseiro bipartido 60/40, sensor de estacionamento e outras miudezas. O som de série na versão Premium inclui CD Player mas não conta com Bluetooth, enquanto o que equipa a versão Style não tem CD Player, mas incorpora o Bluetooth. Na versão Premium, esse som com Bluetooth e sem CD Player está disponível como opcional, sem acréscimo no preço. 

O motor do HB20X é sempre o mesmo 1.6 flex de quatro cilindros do HB20 “top”, com potência de 128 cv e torque de 16,5 kgfm rodando com etanol. A diferença de preço entre as versões é de R$ 2.500 – a Style manual custa R$ 48.755, enquanto a Premium sai por R$ 51.255. A opção pelo câmbio automático de quatro marchas, acompanhado do apoio de braço para o motorista, é disponível para ambas as versões e acrescenta R$ 3.200 ao preço. Cores metálicas custam R$ 1.045 a mais e as perolizadas somam R$ 1.245 ao valor final.

A produção da fábrica piracicabana é estimada em 150 mil unidades anuais ou 12.500 unidades mensais. Na época do lançamento do HB20, em setembro do ano passado, a marca imaginava vender 60% disso do hatch – algo como 7.500 unidades mensais. Mas o fato do HB20 – que vendeu 10.664 unidades em dezembro – ter uma fila de espera de três meses em algumas concessionárias não inibiu a marca coreana de diversificar logo a sua linha de produção em Piracicaba. Agora, a Hyundai estima que as vendas do HB20X se situem perto das 850 unidades mensais. Ainda longe dos concorrentes CrossFox e Sandero Stepway, que vendem mais que o dobro disso. Para março, já está agendado o lançamento da versão sedã, que chegará às concessionárias em abril. E vai colocar a Hyundai em uma nova trincheira na batalha pelo mercado brasileiro de automóveis.
 
Primeiras impressões
Na trilha certa

Campos do Jordão/SP -
A versão escolhida para a avaliação foi a Style automática – oferecida por R$ 51.955. Como o carro testado era na cor perolizada Marron Clay, some-se R$ 1.245 ao preço final – que totaliza R$ 53.200. Ou seja, quase 16% – exatos R$ 7.205 – a mais que o HB20 normal com o idêntico trem de força e na mesma cor e versão. Ou seja, para um hatch compacto, o HB20X está longe de ser barato.

Ao girar a chave, todos os mostradores do carro acendem, mesmo com faróis apagados. Em movimento, é fácil perceber que o câmbio automático de quatro velocidades se esforça para cumprir a sua função de tornar a direção confortável e providenciar as necessárias mudanças de marchas sem maiores solavancos. Mas uma oferta maior de marchas no câmbio automático seria bem-vinda e certamente faria o motor gritar menos nas ultrapassagens. Apesar de ruidoso nas exigências mais extremas, o propulsor 1.6 mostra disposição suficiente já a partir dos 2 mil giros e move o hatch com desembaraço.

 
O trajeto era a estrada que liga a capital paulista à cidade serrana de Campos do Jordão, com direito a um pequeno desvio por uma trilhazinha leve. A maior distância para o solo – no HB20X é de 20,5 cm – ajuda a ultrapassar sem estresse os obstáculos moderados. O novo hatch da Hyundai exibiu o mesmo bom desempenho nas acelerações e equilíbrio nas curvas do HB20 convencional. Se a estrada permitir, é possível trafegar em velocidades de cruzeiro de 130 km/h. Daí é possível atingir sem demasiado esforço os 160 km/h, quando o ganho de velocidade se torna bem mais lento. Apesar da suspensão elevada, o carro aderna pouco nas curvas e permite que se dirija de modo bem esportivo. 

Nas frenagens bruscas, o carro parou sem alterações de rota e bem equilibrado. Em usos cotidianos e civilizados, sem acelerações excessivas, o isolamento acústico se aproxima do oferecido pelos modelos médios. Em termos de consumo, o InMetro colocou o HB20X na categoria B, com 11,3 km/l na estrada e 7,9 km/l na cidade, com etanol. No teste feito durante o lançamento, realizado predominantemente em estradas asfaltadas, a média de consumo obtida foi de 10,9 km/l.
 
Ficha técnica
Hyundai HB20X Style automático
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.591 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.
Transmissão: Automática de quatro velocidades à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não possui controle de tração.
Potência máxima: 128 cv e 122 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 16,5 kgfm e 16,0 kgfm a 4.500 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 12,0 e 11,5 segundos com gasolina e etanol.
Velocidade máxima: 172 e 174 km/h com gasolina e etanol.
Diâmetro e curso: 77,0 mm x 85,4 mm. Taxa de compressão: 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos pressurizados e barra estabilizadora. Traseira semi-independente por eixo de torção, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores. Não possui controle de estabilidade.
Pneus: 195/65 R15.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS com EBD.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,94 metros de comprimento, 1,71 m de largura, 1,54 m de altura e 2,50 m de distância entre-eixos. Airbag duplo frontal de série.
Peso: 1.099 kg.
Capacidade do porta-malas: 300 litros.
Tanque de combustível: 50 litros.
Produção: Piracicaba, São Paulo. 
Lançamento no Brasil: 2013.
Itens de série: Ar-condicionado, direção hidráulica, airbags frontais, limpador do vidro traseiro, freios ABS com EBD, vidros elétricos nas quatro portas, chave canivete, desembaçador traseiro, faróis de neblina, coluna de direção regulável, retrovisores elétricos, rádio MP3/USB/Aux/iPod com Bluetooth e rodas de liga em 15 polegadas. 
Preço: R$ 51.955
Opcionais: Pintura metálica: R$ 1.045. Pintura perolizada: R$ 1.245


  FONTE: Luiz Humberto Monteiro Pereira/Auto Press/MotorDReam

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