domingo, 10 de março de 2013

Teste: Peugeot 308 THP - Adrenalina cerebral.

Teste: Peugeot 308 THP - Adrenalina cerebralPeugeot 308 THP junta esportividade e racionalidade em um mesmo pacote. De um modo geral, hatches médios apelam tanto para a racionalidade como para a esportividade. Essa dualidade geralmente é bem explorada pelas montadoras. No caso do Peugeot 308, a versão turbo THP serve também para consolidar a imagem de um modelo que, finalmente, ganha representatividade no mercado. A THP é uma configuração topo da linha que junta essas duas características a um belo acabamento interno. (VEJA FOTOS E TESTE)
E, de quebra, faz aquele papel de vitrine de modernidade para a linha do modelo francês, graças à boa dose de equipamentos e ao competente conjunto mecânico.

A adoção de um moderno trem de força não tirou as motivações racionais nem distanciou o 308 THP do centro da briga do segmento. Inclusive pelo preço praticado pela Peugeot. O hatch sai por R$ 74.990, valor até inferior ao Chevrolet Cruze Sport6 LTZ e ao novo
Hyundai i30 – o coreano, por sinal, beira exagerados R$ 90 mil. Dessa forma, mesmo com mecânica muito mais apurada do que os concorrentes, o THP não se justifica apenas pelo ganho de emoção.



A escolha para equipar o carro foi para o já conhecido 1.6 THP que desenvolve 165 cv a 6 mil rpm e 24,5 kgfm de torque logo aos 1.400 giros. É a mesma configuração que está em carros como os Citroën DS3, DS4 e DS5 e os Peugeot 3008, 408 THP, RCZ e 508. Na Europa, o motor THP é versátil: vai de 120 cv a mais de 200 cv. No Brasil, a PSA Peugeot Citroën optou por adaptar apenas uma variação do motor à gasolina alcoolizada usada por aqui. No caso, com uma calibração que consiga atender a um maior número de necessidades. O mesmo propulsor, mas com algumas alterações, também está nos carros da Mini e no BMW Série 1. A transmissão é uma automática de seis velocidades com opção de troca sequencial na alavanca.
Em termos estéticos, o THP é quase idêntico a seus companheiros de linha. Apenas a logo na traseira e as rodas exclusivas diferenciam a versão. Por dentro, as alterações ficam por conta do volante com base reta. Não há grandes
novidades também na lista de equipamentos. O único diferencial em relação à versão Feline 2.0 é o teto solar panorâmico – opcional na configuração aspirada. Dessa forma, o hatch já vem de fábrica com controle de estabilidade e tração, seis airbags, faróis de led, revestimento interno de couro e GPS com tela de sete polegadas como itens de destaque. Um conjunto interessante para acompanhar o belo trem de força do 308 THP.


   
Ponto a ponto


Desempenho
– O motor 1.6 THP mostra mais uma vez a sua alta capacidade no 308. Os giros sobem rápido e o propulsor trabalha de forma suave. A entrega de força acontece cedo. Logo aos 1.400 giros os 24,5 kgfm já estão disponíveis. Mas diferentemente do DS3, por exemplo, o comportamento não é impressionante. O hatch até tem um desempenho animador, acima dos médios de sua categoria, mas nada extraordinário. Principalmente pelo câmbio automático de seis marchas, que deixa as trocas um tanto lentas. Nota 9.

Estabilidade
– O hatch médio da Peugeot já é um carro muito equilibrado em suas versões tradicionais. No modelo turbo, a mistura ficou ainda melhor com um ajuste ligeiramente mais rígido. Ponto também para os pneus mais largos que apoiam bem no chão e dão aderência suficiente para contornar curvas fechadas com confiança. Nota 9.

Interatividade
– A grande área envidraçada contribui muito para a visibilidade do 308. O resto do carro tem funcionamento bem simples e fácil de ser manuseado. O GPS tem tela de sete polegadas que não é sensível ao toque, mas traz comandos intuitivos. Nota 8.

Consumo
– Apesar do motor moderno, o 308 THP conseguiu média de 8,2 km/l em trajeto misto. Uma marca apenas razoável. O InMetro não fez medições para o hatch médio da Peugeot. Nota 6.

Tecnologia
– O 308 é um dos mais modernos de seu segmento. Tem plataforma que oferece boa rigidez e espaço interno e lista de equipamentos bem recheada, com direito a GPS e teto solar panorâmico. O destaque dessa versão, no entanto, é o conjunto mecânico. O motor 1.6 THP é excelente e dá um desempenho animado para o Peugeot. Nota 9.

Conforto
– Espaço interno é que não falta no 308. Cinco adultos podem viajar sem grandes problemas. Os bancos também são confortáveis, com espuma de densidade correta, e o belo teto de vidro ainda amplia a sensação de espaço. A suspensão ligeiramente mais rígida nesta versão e os pneus de perfil fino jogam contra. Com eles, superar a buraqueira das cidades se torna uma tarefa um tanto quanto sacrificante. Nota 7.



Habitabilidade
– O 308 é um carro muito bem resolvido em seu interior. O painel, além de bonito, é bem pensado e no habitáculo há diversos lugares para porta-objetos. O porta-malas carrega decentes 348 litros, mas tem boca muito alta, o que dificulta a carga de objetos pesados ou volumosos. Nota 7.

Acabamento
– O interior do THP é basicamente o mesmo do 308 comum. E isso é bom. O acabamento do hatch é caprichado, com um grande aplique de plástico com material emborrachado no painel. Ainda existem diversos elementos cromados espalhados pelo habitáculo. O couro dos assentos e do volante é de qualidade e agrada ao toque. Nota 9.

Design
– O desenho do 308 é praticamente uma evolução do antigo 307. Isso significa que traz linhas harmônicas e comportadas. O problema é que dá a impressão de ser um design já “cansado”. A versão THP pouco adiciona em termos estéticos. Só as rodas de 17 polegadas com pintura especial diferenciam a versão dos outros 308. Nota 7.

Custo/beneficio
– Se for comparado aos outros hatches com motor turbo do mercado, o 308 THP é uma ótima compra. Só o compacto Citroën DS3 – que tem apenas duas portas e muito menos espaço – fica próximo dos seus R$ 74.990. Outros rivais como Volkswagen Fusca e Mini Cooper S são bem mais caros e proposta um bocado diferente. Quando à comparação é com os outros dois volumes médios à venda por aqui, o 308 também não faz feio. Mesmo nesta versão turbo, o Peugeot é mais barato que o Chevrolet Cruze Sport6 2.0, por exemplo. Nota 7.

Total
– O Peugeot 308 THP somou 78 pontos em 100 possíveis.



Impressões ao dirigir


Emoções contidas


As primeiras unidades do 308 que desembarcaram no Brasil agradaram logo de cara. O carro é bom de guiar, tem belo acabamento e preço justo. Mas sempre ficou a impressão de que merecia um conjunto mecânico mais refinado. O modelo de entrada tem motor 1.6 que parece se “esguelar” para mover o hatch. Já o topo traz um bom 2.0 de 151 cv, mas aliado a uma antiga e irritante transmissão automática de quatro marchas. A história mudou no final do ano passado quando apareceu a versão THP do hatch. Com o elogiado propulsor 1.6 turbo sob o capô e um câmbio automático de seis marchas, o 308 surge em sua melhor forma.


Mas apesar de ter um motor turbinado e com injeção direta, o 308 THP não é um esportivo nato. Ele é apenas um hatch médio mais potente e mais apurado dinamicamente, mas que passa longe de uma proposta realmente agressiva. Os números de desempenho até são animadores. O zero a 100 km/h é feito em menos de nove segundos e o propulsor realmente empurra o carro com vontade. O torque disponível em baixos giros deixa o veículo sempre “ligado” e ágil. Mas não há aquela interação extrema entre motorista e automóvel que os esportivos costumam fornecer. O câmbio, por exemplo, que é sequencial com trocas feitas diretamente na alavanca, não mostra grande agilidade nem são muito suaves.




Já o equilíbrio dinâmico desta versão THP arranca elogios. A suspensão é ligeiramente enrijecida e os pneus são mais largos. As alterações nas molas e amortecedores não eliminam totalmente as rolagens de carroceria, mas os novos “calçados” ajudam bastante na tarefa de dar aderência ao hatch.


Por dentro, o 308 traz uma cabine “familiar”. É o mesmo painel que está no sedã 408, por exemplo. E agrada. O acabamento é caprichado, revestido com plástico emborrachado de boa qualidade e muitos detalhes cromados. O teto solar panorâmico é vistoso e aumenta a sensação de conforto a bordo. Destaque também para o espaço interno, que permite levar cinco adultos sem grandes dificuldades.

   
Ficha técnica


Peugeot 308 THP


Motor:
Gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, alimentado por turbina de hélice dupla, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro. Comando duplo de válvulas no cabeçote com sistema de variação de abertura na admissão e escape. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico.
Transmissão:
Câmbio automático de seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Oferece controle de tração.
Potência máxima:
165 cv a 6 mil rpm.
Torque máximo:
24,5 kgfm a 1.400 rpm.
Aceleração 0-100 km/h:
8,3 segundos.
Velocidade máxima:
215 km/h.
Diâmetro e curso:
77,0 mm x 85,8 mm. Taxa de compressão: 11,0:1.
Suspensão:
Dianteira do tipo McPherson, com rodas independentes, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidraulicos pressurizados. Traseira com rodas independentes, travessa deformavel e amortecedores hidráulicos pressurizados. Oferece controle de estabilidade de série.
Pneus:
225/45 R17.
Freios:
Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EDB.
Carroceria:
Hatch em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,27 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,49 m de altura e 2,61 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina.
Peso:
1.392 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas:
348 litros.
Tanque de combustível:
60 litros.
Produção:
El Palomar, Argentina.
Lançamento no Brasil:
2012.
Itens de série:
Ar-condicionado automático de duas zonas, vidros e travas elétricas, direção hidráulica, travamento das portas por controle remoto, airbags frontais, laterais e de cortina, freios ABS, sistema de som rádio/CD/MP3/USB/Bluetooth/Aux com tela de sete polegadas, GPS, teto solar panorâmico, apoio de cabeça central traseiro, alarme perimétrico, vidros traseiros elétricos, bancos em couro, faróis de xenônio direcionais, rodas de liga-leve de 17 polegadas, sensor crepuscular, de chuva e de estacionamento.
Preço:
R$ 74.900.

Veja mais: Teste: Sucesso do Peugeot 308 é questão de tempo




FONTE: Rodrigo Machado/Auto Press

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